Bratislava

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12 Fãs

Sun 3/26
12:25pm-1:10pm

Palco Onix

Bio

Existe um momento na história de toda banda em que os ensaios precisam se transformar em apresentações ao vivo, e os acordes jogados ao léu devem dar forma a canções de verdade, com letra, arranjo e tudo que tem direito. Para a Bratislava, esse momento veio um ano após Victor Meira, seu irmão Alexandre e Pedro Chammé concordarem que era hora de montar uma banda, uma progressão profissional dos grupos que tinham na época de colegial. Era 2010 e o trio dedicava seus encontros a tirar músicas e brincar de fazer versões - desde Caetano Veloso a Debout Sur le Zinc e The Bad Plus. Já em 2011, quando surgiu a oportunidade de participar de um concurso de canções autorais da OiFM, a Bratislava colocou a mão na massa e viu nascer três composições próprias. Apesar de não renderem vitória no concurso, elas foram um marco na história da banda, que não parou mais de compor.

De lá para cá, foi uma longa trajetória até a consolidação da formação atual, com a saída de Pedro, a passagem de Sophian, Ricardo e Edu pela banda e, por fim, a entrada de Lucas Felipe Franco na bateria e Sandro Cobeleanschi no baixo. Eles vieram para complementar as guitarras e vocais de Alexandre Meira e a voz, teclas e sintetizadores de Victor Meira. Essa formação trouxe consigo um novo fôlego tanto musical quanto visual e estético. E marcou um verdadeiro encontro de sons que começaram a se formar em lugares completamente diferentes. Enquanto os irmãos Victor e Alexandre são naturais de Salvador, com passagens por Porto Alegre, Campo Grande, Curitiba, Vitória da Conquista, Novo Hamburgo, Artur Nogueira, Engenheiro Coelho e, no caso de Victor, Toronto, Sandro veio de Santo André e viveu por um tempo em Los Angeles, e Lucas é da zona leste de SP, tendo vivido por um tempo em Salvador. Tudo confluiu até formar, hoje, a casa da Bratislava, na capital paulista.

Ainda em 2011, quando a banda estava empolgada com suas primeiras composições, veio o EP “Longe do Sono”. Ele é um registro de um momento de plena liberdade criativa do trio, que buscava estabelecer uma identidade baseada na diversidade de estilos. A gravação foi no estúdio de ensaio, apenas com o suporte do técnico de som e sem qualquer direcionamento de um produtor. O que poderia ser um desafio para uma banda iniciante se tornou uma oportunidade de aprender. As cinco músicas traziam influências diversas, misturando indie, samba, punk-cigano, jazz, axé-rock, chanson francesa e psicodelia progressiva. Nas gravações, o francês Sophian Ferey assumiu as baquetas no lugar do fundador Pedro Chammé. Foi nessa época que a Bratislava fez seus primeiros shows fora do estado, passando por MG, RJ e PR, e entrou para o lineup do festival Grito Rock.

Já o trabalho seguinte, o álbum “Carne” (2012), se mostrou uma sequência natural ao EP. Ainda sem um foco estético, os sons se diferem no estilo. "Tem música boazinha e música malvada", como eles definem. Duas são instrumentais. No entanto, dessa vez a gravação foi em um estúdio profissional e o disco ganhou a produção de Claudio Machado. Foi um momento de repensar a forma e agregar a segunda guitarra, de Edu Barreto. Como resultado, a banda participou do festival Dezembro Independente, de gravações no Family Mob, do Sofar Sounds e mais shows em RJ e MG e no interior de SP. Rendeu matérias em sites como Omelete e Tenho Mais Discos Que Amigos, e o clipe da faixa "Carne" foi listado entre os melhores do ano pelo Na Mira do Groove, TMDQA e Floga-se.

Foi então que a Bratislava deu um tempo nas composições e se focou nos shows. Precisava respirar após o lançamento consecutivo de dois trabalhos. Em 2014, a formação atual se consolidou. Lucas trouxe uma batida mais calma e marcante, com menos notas e mais groove. Sandro, além das virtuosas linhas de baixo, veio trazendo um olhar externo e a experiência que acumulou com sua banda anterior, a Escalator Hill, formada enquanto morava em Los Angeles. As pré-gravações do que viria a se tornar o disco “Um pouco mais de silêncio”, de 2015, foram revisitadas e retrabalhadas com a chegada dos novos integrantes.


Outro fator que ajudaria a definir o próximo passo da Bratislava foi o projeto paralelo que o vocalista Victor Meira desenvolveu em 2013 com o produtor e compositor Adam Matschulat, o Godasadog. A experiência foi transformadora, mudando seu método de composição, descobertas e outras possibilidades. Não por acaso, o novo trabalho da Bratislava foi produzido por Victor e Adam e colocou a banda em uma busca mais direcionada de sua própria identidade. “Um pouco mais de silêncio” deu um novo impulso na divulgação do trabalho do quarteto, com novos espaços para shows e presença em veículos como Rolling Stone Brasil, Popload e o Caderno 2, do Estadão, que decretou: Bratislava é uma das bandas para se prestar atenção em 2016.

E foi mesmo. A Bratislava continuou a divulgação do novo disco, que saiu em formato de zine graças a uma bem-sucedida campanha de crowdfunding. Atualmente, o zine está disponível em lojas como a Livraria Cultura e integra digitalmente o formato impresso com as canções via QR codes. Em março, a banda convidou a cantora Luiza Lian para gravar a faixa “Revida”, single que abordava a questão da liberdade feminina e o direito de amamentar em público. O lançamento aconteceu no Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

Agora, é continuar a luta. A Bratislava cresceu e aprendeu fazendo, levando a sério a alcunha de “experimental” e testando por conta própria seus limites. Teve de aprender a tocar, a produzir, a divulgar o trabalho, a ser banda. Tudo isso visando formar um público que acompanhe toda essa entrega e dedicação. Um dos próximos passos será o lançamento de um EP, previsto para o início de 2017 e já trazendo uma banda mais coesa, lúcida e madura, que cria menos acidentalmente e mais cuidadosamente. É a Bratislava se redescobrindo, experimentando, se reinventando e mostrando que silêncio não está nos seus próximos planos.