Glass Animals

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178 Fãs

Sat 3/25
3:20pm-4:20pm

Palco Onix

Bio

Menos de 48 horas depois que o frontman Dave Bayley deu os toques finais ao segundo álbum de Glass Animals, ele apareceu para falar como ele e seus companheiros de banda estavam apenas dois anos atrás. “Isso é cruel. Estávamos na garagem de um amigo tocando para quatro pessoas”, ri.

Adiante o tempo para seis meses e eles estava em uma turnê que catapultou Dave e seus companheiros Drew MacFarlane (guitarra), Edmund Irwin-Singer (contrabaixo) e Joe Seward (bateria) para todo o mundo; o clímax foram os shows com lotação máxima no The Wiltern, em Los Angeles, e no Terminal 5, em Nova York, além de apresentações em grandes festivais na Austrália, nos Estados Unidos e, claro, o Glastonbury.

Eles tinham a perspectiva de alcançar todo esse sucesso mundial? “Não sei se tínhamos”, comenta Dave. “É uma posição atípica de estar. Sempre imaginei que o Glass Animals seria uma diversão para ter com meus amigos. Para conseguir transformar isso em uma carreira tem um lado totalmente psicológico. Não tive tempo para pensar nisso. Provavelmente ficaria louco se pensasse”.

De fato, por conta de todo o sucesso, o Glass Animals vai enfrentar aquele clichê típico na dificuldade de criar um segundo álbum. Toda turnê deles tive sold out, eles tiveram suas músicas reproduzidas 200 milhões de vezes em aplicativos de música e seu álbum de estreia, “Zaba”, foi baixado por mais de 500 mil pessoas. Para uma banda que está em um selo apoiado pelo lendário produtor Paul Epworth, a pressão para o sucesso tinha potenciais efeitos-colaterais complicados.

Dave não pestaneja quando o assunto vem à tona. Ele simplesmente não tem tempo de se preocupar. Ao invés disso, apenas seis meses depois de sair da estrada, ele já está definindo como as sessões no estúdio serão, como será o artwork, e aí por diante.

O novo LP – cujo título é “How To Be A Human Being” – surgiu tão rapidamente que você poderia acreditar que foi composto durante a turnê. “Não! Não tínhamos tempo para isso”, diz Dave. “Ele saiu assim que deixamos o ônibus da turnê”. Antes de sua suitcase ser colocada no chão, Dave já estava arrumando o pequeno estúdio deles em Hornsey, no norte de Londres.

Escrevendo o esqueleto do álbum em uma semana e meia durante o Natal, ele estava desesperado para colocar as experiências dos últimos dois anos no papel antes que esquecesse. “Foi o tempo de composição de maior sucesso que já tive”, ele diz modestamente. “Eu tinha todas as histórias na minha cabeça”.

Mapear esses esqueletos das músicas mostrou ser um processo totalmente diferente do que aconteceu em “Zaba”. "Da última vez, eu comecei com as batidas e a parte eletrônica, e agora comecei basicamente com os acordes e a linha vocal... às vezes até com as letras. Tentei inverter todo o processo”, explica. A maior parte das composições e produção aconteceu num intenso período de 10 dias. Então, em janeiro, Dave começou a polir as histórias, as letras, e a música, deixando cada parte perfeita. Ele enviou os sons para a banda. Enviou os demos para a banda, e, como um grupo, eles levaram as músicas além, experimentando todos os arranjos e a instrumentação.

Como indica o single principal “Life Itself”, o novo som é maior, mas forte e muito mais ambicioso. Dave tem o costume de não escutar outras bandas quando faz as músicas, ele prefere olhar para dentro do mundo que a Glass Animals construiu. Para essa gravação, seus pensamentos tinham um fator a mais que nem poderia ser sonhado na época de “Zaba” – a grande audiência ao vivo que eles angariaram. “Você sabe a que as grandes multidões reagem: grandes batidas, baixo e um tempo rápido”.

Assim como o set ao vivo de Glass Animal evoluiu, as aspirações sonoras da banda também. Dave é como um “electro Einstein”, sempre perseguindo um momento para a lâmpada acender. “Aquele instante em que a melodia surge na sua cabeça e você sabe que é a certa, ou você senta ao piano, toca quatro acordes na sequência e pensa – ‘ah, isso funciona’! Havia uma consciência de fazer essa gravação mais difícil, angular e escancarada. Comecei a apreciar a crueza”.

“How To Be A Human Being” é sobre pessoas. Muitas das ideias de suas letras vêm de comentários de pessoas a Dave, o que faz com que ele se sinta uma espécie de jornalista durante esse tempo. “Eu tento entender as pessoas secretamente, e tenho horas e horas dessas falas divertidas e surpreendentes de taxistas, de pessoas que conhecemos nos shows, em festas... As pessoas dizem coisas estranhas quando acham que nunca mais vão te ver. E às vezes eles entram no seu coração com as histórias mais tristes e tocantes”. As falas deram ideias de personagens a Dave para que ele pudesse desenvolver um álbum como se você um roteirista de TV. “Tenho obsessão sobre o que eles comem, onde vivem, como sua casa parece, o que eles usam”, ele ri. “Algumas dessas coisas são autobiográficas, mas ditas através dos olhos de outras pessoas”.

A fascinação deles pela condição humana é ligada a seu relativo isolamento alguns anos atrás. Em Oxford, estudando medicina na universidade, os pensamentos de serem uma banda viável na vida real não era algo que realmente passava pela cabeça deles. Eles estavam vivendo numa bolha. “Passamos aqueles anos realmente isolados, apenas fazendo nosso próprio barulho. De repente entramos neste cenário em que a cada dia estávamos em uma cidade diferente, conhecendo gente diferente todos os dias”.

Da profundidade de “Agnes” à bem-humorada e dançante “Life Itself”, este segundo álbum é uma exploração de uma tendência que nos deixa grudado, tudo feito do ponto de vista de quatro caras que tiveram uma experiência de vida em sua forma mais extrema e inesperada nos dois últimos anos. Não conecta apenas com seus pés – conecta também com seu cérebro, seu coração e sua alma.

“How To Be A Human Being” é um álbum cheio de camadas e nuances que juntam de uma maneira única 40 anos de uma história sonora de uma forma enfaticamente evoluída. Nos personagens e nos temas explorados, a gravação cria um mundo para fãs habitarem. Com qualquer música nova, vem um novo insight, não só no universo de Glass Animals, mas na condição humana.