Two Door Cinema Club

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Algumas bandas só espreitam o abismo, outras mergulham nele de cabeça. Tem também aquelas que veem o abismo crescendo ao seu redor. E somente as grandes bandas conseguem escalá-lo.

Este último cenário conta a história de Two Door Cinema Club, uma das bandas de maior sucesso na última década dentro do pop alternativo. É coisa de conto de fadas. Três amigos de escola de 17 anos, da cidade de County Down – o vocalista Alex Trimble, o guitarrista Sam Halliday e o baixista Kevin Baird – formam uma banda em 2008 inspirados pelas mutações frescas do indie rock de Foals and The Maccabees, mas com uma suculenta melodia criada por eles mesmos. Apenas o corajoso selo indie francês Kitsine topou assinar com eles. O resultado? Os garotos abandonaram os planos de fazer faculdade para entrar de cabeça na vida de turnê, sedentos por construir uma história de sucesso.

Gradualmente, o sucesso foi chegando. Empolgados por estabelecer uma relação online com os fãs e sempre com tempo para conhecer as pessoas depois dos shows, eles criaram uma fanbase empolgante, que se autodenominou “The Basement People”. Concentrando todas as suas energias no lançamento do EP de estreia, "Four Word To Stand On”, em 2009, por todo o mundo e não apenas no Reino Unido, eles espalharam os fãs de Two Door Cinema Club para novos países.

Uma aparição no BBC Sound de 2010 deu uma pequena noção do impacto que eles estavam causando naquele ano, em que foram a quarta banda com maior rodagem no mundo. Este foi o ano do lançamento do álbum de estreia da banda, “Tourist History”, gravado no Eastcote Studios, em Londres, com produção de Eliot James e músicas de sucesso entre o público, mas com pouca aparição em rádios até ali, como “Something Good Can Work”, “Undercover Martyn” e “What You Know”. “É a melhor forma de entrar nos lugares”, afirma Sam. “Se é o público e não a grande mídia que diz aos outros o que é bom ou não. O grande momento foi num show do Shepherd’s Bush Empire, em que as rádios devem ter pensado ‘calma aí, não fomos nós que pedimos para as pessoas gostarem disso, devemos colocar isso na nossa programação”.

“Isso faz com que eu me sinta muito bem de relembrar”, concorda Alex, “por mais que tenha sido difícil na época, porque, por mais que tivéssemos muito apoio nas redes e dos fãs, nenhum ‘peixe grande’ nos conhecia. A maior parte da mídia nos ignorava”.

Em seis semanas atípicas em 2011, TDCC se juntou em uma casa em Glasgow para escrever seu segundo álbum, “Beacon”, e a gravação aconteceu com Jacknife (U2, REM, Bloc Party) em seu estúdio em Topanga, Los Angeles. Foi uma consolidação madura, melódica e ampla do som da banda, que logo alcançou o segundo lugar nas paradas e cimentou o fenômeno no qual eles já vinham se transformando ao redor do globo. “Nos dois álbuns foi o sucesso que nos perseguiu”, explica Alex.

O sucesso da banda, no entanto, ficou muito claro no show no Alexandra Palace, em Londres. “Ally Pally foi fenomenal”, relembra Alex. “Eu estava cético naquela época de que seríamos capazes de tocar ali. Hoje tenho uma relação mais saudável com o sucesso que temos e uma noção maior, mas na época estava inseguro. Entrar ali e ouvir 10 mil pessoas cantando junto todas as músicas foi inacreditável”.

Depois de dois anos viajando para divulgar “Beacon” e toda a correria do trabalho, Alex foi hospitalizado por conta de uma úlcera no estômago gerada por estresse e a banda precisou cancelar shows. Ali eles decidiram dar um tempo para eles mesmos, tirar o foco da banda e trabalhar com seus próprios demônios para entender quem eles eram fora da grupo. Alex se mudou para Portland, em Oregon, e começou a explorar outros talentos criativos, como a literatura e a fotografia. Kevin se mudou para LA a fim de conquistar o que desejava e Sam se estabeleceu em Londres, casou-se e curtiu a vida com sua família. Quando eles retornaram em 2015, com todas as tensões apaziguadas e sem as obrigações contratuais que os sufocava, TDCC criou um novo sopro de vida criativa – sobretudo por e-mail.

“Percebemos que naquele momento não funcionaria juntar nós três em um sala e tentar escrever as músicas”, explica Kevin. “Então fizemos isso por e-mail, o que foi ótimo”.

Num período de cinco meses, a banda juntou os pedaços para a base de seu terceiro álbum. Desafiando eles mesmos a criar uma variedade maior de estilos e influências que vão muito além do som tradicional da banda, buscaram influências em Prince, Madonna, McCartney, Chic, Krautrock, neo soul e pop moderno para criar “Gameshow”, de longe o álbum mais cativante e dançante que eles gravaram até hoje. “Bad Decisions”, “Ordinary” e “Are We Ready? (Wreck)”, primeiro single do disco, todas capturam o desconforto de Alex com a vida moderna, que ele chama de “geração da informação”.

De volta à ativa com shows na Irlanda do Norte, terra natal da banda, TDCC está de volta com fogo criativo e um novo objetivo. Eles tiveram as brigas. Tiveram a inércia. E agora estão prontos para a ação.